Guia 2026Como tokenizar um ativo na Espanha, contrastado com três escritórios de advocacia. Baixe-o

Tokenização para emissores da América Latina: a via espanhola

Como uma empresa do México, da Colômbia ou do Chile emite valores mobiliários tokenizados na UE via Espanha: SPV, ERIR e folheto com passaporte. Guias de 18 países.

· 8 min de leitura

Tokenização para emissores da América Latina: a via espanhola

Captar investidores europeus com uma emissão tokenizada não exige transferir a empresa para a Europa. Um emissor latino-americano pode estruturar a operação sob o marco espanhol: constitui um veículo na Espanha, apoia-se em intermediários regulados e, se precisar de folheto, esse folheto vale para toda a União Europeia. O circuito completo funciona em espanhol e se coordena em remoto.

A Espanha conta desde 2023 com uma lei que reconhece ações, títulos de dívida e participações registrados em blockchain com plenos efeitos jurídicos, e desde novembro de 2024 com a primeira entidade autorizada para manter esse registro. Para um promotor, uma gestora ou uma empresa com matriz na América Latina, isso transforma a Espanha na porta de entrada operacional ao capital europeu (Ley 6/2023).

Por que a via espanhola funciona para um emissor da América Latina

A decisão de jurisdição se reduz a quatro fatos comprováveis.

1. Todo o expediente é trabalhado em espanhol

Estatutos, documento de emissão, contratos com intermediários e comunicação com o supervisor: tudo no seu idioma. Em comparação com a Alemanha ou Luxemburgo, isso elimina uma camada inteira de traduções juramentadas e de atrito com assessores. O critério é simples: onde o expediente se entende, o expediente avança.

2. A figura registral já opera: a ERIR

A lei espanhola exige que toda emissão de valores mobiliários tokenizados tenha uma ERIR, a entidade responsável pela inscrição e registro: o notário digital que dá fé de quem é titular de quê. Não é teoria pendente de desenvolvimento: a primeira ERIR autorizada pela CNMV, URSUS-3 Capital A.V., opera desde novembro de 2024 (art. 8, Ley 6/2023; RD 814/2023).

3. O folheto aprovado na Espanha é passaportado para toda a UE

Um folheto aprovado pela CNMV pode ser notificado a qualquer outro supervisor da União e habilita a oferta pública nesse país sem nova aprovação. Um único expediente abre 27 mercados. Além disso, desde 5 de junho de 2026 a isenção de folheto chega até 12 milhões de euros em 12 meses, com opção de cada Estado de reduzi-la a 5: as emissões médias podem começar sem folheto e adicioná-lo quando o valor o exigir (arts. 24-25, Regulamento (UE) 2017/1129; Regulamento (UE) 2024/2809). Como funciona na prática: passaporte europeu do folheto.

4. O ecossistema de parceiros é público e verificável

A HokenFi é a plataforma tecnológica da emissão; não é uma entidade autorizada pela CNMV e não precisa ser. O circuito regulado é coberto por parceiros publicados: URSUS-3 Capital A.V. como primeira ERIR, os escritórios de advocacia Asensi Abogados, ATH21 e Ramón y Cajal Abogados, e Gabriel Carrillo Capel EAF. Você pode verificar quem é cada um antes de assinar qualquer coisa: sobre nós.

O processo completo, coordenado em remoto

A sequência é a mesma que para um emissor espanhol, com um passo prévio: criar o veículo. Nenhuma etapa exige residir na Espanha.

Constituição do veículo espanhol (SA ou SPV). A emissão é feita por uma sociedade espanhola, habitualmente uma SA de propósito específico participada pela matriz ou pelos sócios latino-americanos. Os administradores precisam de NIE e a constituição é feita perante notário; em muitos casos pode ser concluída por meio de procurações, sem viajar. O guia operacional passo a passo está em constituir uma SPV espanhola para tokenização.

NIF e conta bancária. A sociedade obtém seu NIF e abre conta em uma entidade espanhola ou europeia. O setor bancário aplica sua própria análise de risco ao acionista estrangeiro; convém preparar o expediente de origem de fundos desde o primeiro dia.

Documento de emissão e, se for o caso, prospecto CNMV. Toda emissão precisa de um documento que fixe direitos, montante e condições. Se a oferta superar os limites de isenção ou quiser ter passaporte para outros países da UE, o prospecto é aprovado perante a CNMV (Regulamento (UE) 2017/1129).

Designação da ERIR. O emissor contrata a ERIR, que inscreve a emissão e mantém o registro de titularidades sobre blockchain. Sem ERIR não há valores mobiliários tokenizados válidos na Espanha (art. 8, Lei 6/2023).

KYC/AML dos investidores. Cada investidor passa por identificação e prevenção à lavagem de dinheiro antes de subscrever. A plataforma automatiza o processo; a responsabilidade normativa recai sobre os sujeitos obrigados do circuito.

O panorama completo do marco, com números e calendário regulatório, está no hub da Espanha como porta de entrada da tokenização europeia e no relatório de tokenização regulada 2026.

O que não é necessário

Duas ideias freiam muitos emissores da região e ambas são falsas.

Não é necessário mudar-se para a Espanha. Nem o emissor nem seus sócios precisam de residência espanhola. É preciso um veículo espanhol bem constituído, administradores identificados com NIE e poderes corretamente outorgados. A operação é coordenada por videochamada e assinatura eletrônica ou procuração notarial.

Não é necessário criar uma entidade autorizada própria. O emissor não se torna uma entidade supervisionada por emitir. As funções reservadas são prestadas por entidades já autorizadas: a ERIR para o registro e, quando a colocação o exige, empresas de serviços de investimento. O emissor contrata; não pede licenças.

Para quem esta via se encaixa

A via espanhola compensa quando o capital que você busca está na Europa. Três perfis concretos:

  • Promotores com projetos na América Latina que captam na Europa. O ativo está na região; o veículo emissor e os investidores, sob marco europeu. A estrutura separa o risco do projeto e o canal de captação.
  • Gestoras que querem distribuir um veículo europeu. Um veículo espanhol tokenizado com registro ERIR oferece aos seus participantes europeus um valor sob supervisão da CNMV, com a operação de subscrição digitalizada.
  • Empresas com matriz latino-americana. A filial espanhola emite dívida ou capital tokenizado para financiar a expansão europeia do grupo, com a matriz como garantidora se a estrutura exigir.

O caso contrário também existe: se seus investidores são locais e sua captação é local, seu marco nacional pode bastar. A análise para o México está em Lei Fintech do México e tokenização.

Etapas da emissão

EtapaO que é feitoQuem intervém
1. Diagnóstico e estruturaDefinir ativo, montante, tipo de valor mobiliário (ação, título de dívida, participação) e mercado-alvoEmissor, plataforma, assessor jurídico
2. Veículo espanholNIE, poderes, constituição da SA/SPV, NIF, conta bancáriaNotaria, escritório de advocacia, bancos
3. DocumentaçãoDocumento de emissão; prospecto perante a CNMV se o montante ou o passaporte exigiremEscritório de advocacia, CNMV se for o caso
4. Registro tokenizadoDesignação da ERIR e inscrição da emissãoERIR
5. CaptaçãoOnboarding KYC/AML, subscrição e desembolso dos investidoresPlataforma, parceiros regulados
6. Vida do valor mobiliárioPagamentos, eventos corporativos, transferências anotadas no registroERIR, emissor

Os prazos dependem do cartório, da banca e, se houver prospecto, da revisão da CNMV. Desconfie de quem promete datas fechadas: ninguém controla o calendário de um supervisor.

A decisão final é de estrutura, não de tecnologia. Se seu projeto está na América Latina e seu capital-alvo na Europa, o caminho curto é um veículo espanhol com ERIR e, quando for o caso, prospecto passaportável.

Guias por país

O marco local de cada país muda o que você pode fazer sem sair dele, e quando compensa a via europeia. Você tem isso país a país:

Figuras de financiamento habituais na América Latina

Antes de tokenizar, convém conhecer as peças locais com as quais se estrutura o financiamento:

Relacionado: certificados bursáteis (CEBURES) frente ao título tokenizado · securitização vs tokenização.

Seu projeto está na América Latina e seus investidores na Europa: a estrutura correta se decide antes da tecnologia. Faça o diagnóstico de emissão (2 min) ou solicite uma proposta. Se preferir começar lendo, baixe o guia 2026.

Este conteúdo é informativo e formativo. Não constitui assessoria jurídica, fiscal nem de investimento. Verifique a versão vigente de cada norma no BOE e no EUR-Lex.

A HokenFi é fornecedora de software e infraestrutura; não presta serviços regulados (CASP, ESI, EAF nem ERIR). Este artigo é informativo e não constitui assessoria financeira nem jurídica.

Perguntas frequentes

Uma empresa latino-americana pode emitir security tokens na Espanha sem presença física?

Sim. A emissão é realizada por um veículo espanhol (SA ou SPV) participado pela matriz ou pelos sócios latino-americanos. Os administradores precisam de NIE e a constituição é feita perante notário, em muitos casos por meio de procurações e sem viajar. Nenhuma norma exige residência na Espanha para emitir valores mobiliários tokenizados sob a Lei 6/2023.

O que é a ERIR e por que ela importa para um emissor da América Latina?

A ERIR é a entidade responsável pela inscrição e registro dos valores mobiliários tokenizados, exigida pelo artigo 8 da Lei 6/2023 e desenvolvida no RD 814/2023. Funciona como o notário digital do registro: atesta quem é titular de cada valor. A primeira ERIR autorizada pela CNMV, URSUS-3 Capital, opera desde novembro de 2024.

Preciso de um prospecto aprovado pela CNMV para captar investidores na Europa?

Depende do valor e do alcance. A partir de 5 de junho de 2026, a isenção de prospecto vai até 12 milhões de euros em 12 meses, com opção estatal de reduzi-la a 5. Para passaportar a oferta pública para outros países da UE, sim, é necessário um prospecto aprovado, segundo os artigos 24 e 25 do Regulamento (UE) 2017/1129.

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