Um security token é um valor mobiliário representado em blockchain: um token que incorpora participação no capital, um título de dívida ou um direito a receitas. Por incorporar um direito econômico, ele se submete à legislação de valores mobiliários, e não às regras criadas para criptomoedas, tanto no Brasil quanto na União Europeia.
Valores mobiliários com outro suporte, não outro produto
A forma mais precisa de entender um security token é vê-lo como uma mudança de suporte, não de natureza. Uma ação anotada em um sistema de registro tradicional e uma ação representada em blockchain são o mesmo instrumento jurídico. O que muda é a infraestrutura: o registro distribuído permite emissão mais direta, transferências programáveis, controle de titularidade em tempo real e automação de regras como restrições de venda ou pagamentos.
Essa continuidade jurídica é o que dá segurança ao emissor. Quem compra um security token compra um valor mobiliário, com os direitos e as proteções que a legislação de mercado de capitais reconhece. E quem emite responde como emissor de valores mobiliários, com as obrigações de informação e de conduta correspondentes.
Security token vs. utility token, criptomoeda e NFT
| Instrumento | O que incorpora | Regime na União Europeia |
|---|---|---|
| Security token | Participação, dívida ou direito a receitas | Legislação de valores mobiliários e MiFID II; excluído do MiCA |
| Utility token | Acesso a um produto ou serviço do emissor | MiCA, quando não é instrumento financeiro |
| Criptomoeda e stablecoin | Meio de troca ou referência a uma moeda | MiCA (tokens de moeda eletrônica e referenciados a ativos) |
| NFT | Um bem ou direito único, não fungível | Fora do MiCA em regra; análise caso a caso se houver fracionamento |
O detalhe que mais confunde emissores: o Regulamento MiCA, a norma europeia sobre criptoativos, exclui expressamente os instrumentos financeiros do seu escopo, no artigo 2.4. Um security token não é regulado pelo MiCA. Ele segue o mesmo marco de ações e títulos tradicionais, o que na prática significa mais obrigações e também mais reconhecimento institucional. No Brasil, a lógica é análoga: quando o token se enquadra como valor mobiliário, a operação entra na alçada da CVM e das regras de ofertas públicas, como explicamos no guia sobre o que é tokenização de ativos.
Como se emite um security token de forma regulada na Europa
A Espanha construiu um dos marcos mais completos da União Europeia para essa emissão. A Lei 6/2023, do mercado de valores, reconhece os valores mobiliários representados em sistemas baseados em blockchain e cria no artigo 8 a figura central do modelo: a entidade responsável pelo registro e pela anotação desses valores, conhecida como ERIR. O Real Decreto 814/2023 desenvolve o regime. A ERIR cumpre, para os valores tokenizados, a função que os depositários centrais cumprem para os valores tradicionais: garantir a integridade do registro e a titularidade dos investidores. O papel dessa figura está detalhado em o que é uma ERIR.
O modelo saiu do papel: em novembro de 2024, a URSUS-3 Capital, A.V. tornou-se a primeira ERIR autorizada na Espanha, e outras entidades vêm percorrendo o mesmo caminho. Para o emissor, isso significa que a rota espanhola é operacional, com entidades supervisionadas pela CNMV prestando o serviço de registro.
Sobre a oferta em si, aplica-se o regime europeu de prospectos, do Regulamento (UE) 2017/1129, com uma facilidade recente: desde 5 de junho de 2026, ofertas públicas de até 12 milhões de euros estão isentas de prospecto na Espanha, por efeito do Listing Act. Abaixo desse limite, a documentação exigida é substancialmente mais leve. O processo completo, do desenho do instrumento ao registro, está no guia de como emitir um security token na Espanha.
Por que a via europeia interessa a um emissor brasileiro
Três razões concretas. Primeira, o acesso: uma emissão estruturada na Espanha pode ser oferecida a investidores de toda a União Europeia com um único processo, graças ao passaporte europeu. Segunda, a previsibilidade: o marco espanhol define com clareza quem registra, quem supervisiona e que regras se aplicam, o que facilita a conversa com investidores institucionais. Terceira, a moeda: captar em euros diversifica a base de investidores e reduz a exposição cambial de projetos com custos em moeda forte.
A contrapartida é o custo de conformidade: veículo adequado, documentação, verificação de investidores e obrigações contínuas. Para captações pequenas e puramente domésticas, o mercado local pode bastar. Para projetos que buscam escala internacional, como os de tokenização imobiliária, a rota europeia merece entrar na análise desde o início. As particularidades para empresas da região estão no guia de tokenização para emissores da América Latina.
A HokenFi é uma plataforma tecnológica que estrutura emissões de security tokens em conjunto com entidades reguladas. Não é uma entidade autorizada pela CNMV nem presta serviços de investimento.
Quer saber se o seu projeto se encaixa em uma emissão regulada na Europa? Faça o diagnóstico de emissão (2 min, em inglês) ou solicite uma proposta.
Este conteúdo é informativo e educacional. Não constitui aconselhamento jurídico, fiscal ou de investimento. Verifique a versão vigente de cada norma no BOE e no EUR-Lex.
A HokenFi é fornecedora de software e infraestrutura; não presta serviços regulados (CASP, ESI, EAF ou ERIR). Este artigo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro nem jurídico.
Perguntas frequentes
O que é um security token?
É um valor mobiliário representado em blockchain: um token que incorpora participação no capital, dívida ou direito a receitas. Juridicamente, é o mesmo instrumento que uma ação ou um título tradicional, com outro suporte de registro, e por isso se submete à legislação de valores mobiliários, não às regras criadas para criptomoedas.
Qual é a diferença entre um security token e uma criptomoeda?
A criptomoeda funciona como meio de troca e não incorpora direitos contra um emissor; na União Europeia, rege-se pelo MiCA. O security token incorpora um direito econômico, como participação ou dívida, e por isso é um instrumento financeiro sob a MiFID II, excluído do MiCA pelo artigo 2.4 e sujeito à legislação de valores mobiliários.
O que é uma ERIR e por que ela importa na emissão?
A ERIR é a entidade responsável pelo registro e pela anotação dos valores mobiliários representados em blockchain na Espanha, criada pelo artigo 8 da Lei 6/2023 e desenvolvida pelo Real Decreto 814/2023. Ela garante a integridade do registro e a titularidade dos investidores. A URSUS-3 Capital, A.V. foi a primeira ERIR autorizada, em novembro de 2024.




