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title: "Emitir um security token na Europa: o caminho pela Espanha para emissores brasileiros"
url: "https://hokenfi.com/pt/emitir-security-token-na-europa/"
site: HokenFi
published: "2026-09-21T12:14:47+00:00"
modified: "2026-10-02T15:06:41+00:00"
language: es-ES
author: "Jesús Sánchez Fernández"
description: "Como uma empresa brasileira pode emitir security tokens na Europa via Espanha: passaporte da UE, isenção de folheto até 12 milhões de euros e ERIR."
section: "Inicio > Geral > Emitir um security token na Europa: o caminho pela Espanha para emissores brasileiros"
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# Emitir um security token na Europa: o caminho pela Espanha para emissores brasileiros

Emitir um security token na Europa significa constituir um veículo emissor em um país da União Europeia, registrar o valor mobiliário em blockchain sob um marco legal que reconhece esse registro e distribuí-lo a investidores europeus. Para emissores brasileiros, a rota mais estruturada hoje passa pela Espanha, que regulou a figura em lei e conta com entidades registradoras autorizadas.

Este guia explica por que a Espanha, como funciona o processo por etapas e o que fica a cargo de cada participante.

## Por que um emissor brasileiro olharia para a Europa

Três motivos concretos, nenhum deles tecnológico.

Primeiro, o acesso. Uma emissão feita sob o marco europeu se dirige a investidores dos 27 Estados-membros. O Regulamento de Folhetos ([Regulamento (UE) 2017/1129](https://eur-lex.europa.eu/eli/reg/2017/1129/oj)) prevê o passaporte: um folheto aprovado em um país pode ser notificado aos demais sem novo processo de aprovação. O mecanismo está explicado em [EU prospectus passport for security tokens](https://hokenfi.com/en/eu-prospectus-passport-security-tokens/).

Segundo, o custo de entrada para captações médias. Desde 5 de junho de 2026, com as mudanças do Listing Act, ofertas de até 12 milhões de euros podem ser feitas sem folheto aprovado pelo regulador, observados os limites e condições que cada Estado-membro aplica. Isso retira da equação o documento mais caro e demorado do processo tradicional para uma faixa relevante de captações.

Terceiro, a segurança jurídica do registro. Na Espanha, a Lei 6/2023 ([texto no BOE](https://www.boe.es/eli/es/l/2023/03/17/6/con)) reconhece a emissão de valores mobiliários em sistemas de registro distribuído, e o seu artigo 8, desenvolvido pelo Real Decreto 814/2023 ([texto no BOE](https://www.boe.es/eli/es/rd/2023/11/08/814)), cria a figura da ERIR, a entidade responsável pela inscrição e registro desses valores. O registro mantido por uma ERIR tem validade legal plena: o token não é uma cópia digital de um título que existe em papel em outro lugar, ele é o próprio valor mobiliário. A primeira ERIR autorizada foi a URSUS-3 Capital, A.V., em novembro de 2024.

O instrumento em si não muda de natureza: continua sendo dívida ou participação, como descrito em [o que é um security token](https://hokenfi.com/pt/o-que-e-um-security-token/); a rota europeia oferece o caminho regulado até o investidor em euros.

## O processo por etapas

A sequência abaixo é o desenho típico. A ordem pode variar em função do ativo e do tipo de investidor buscado.

| Etapa | O que acontece | Resultado |
| --- | --- | --- |
| 1. Diagnóstico e estruturação | Análise do ativo, do valor a captar e do perfil de investidor; escolha do instrumento (dívida ou equity) e do regime de oferta | Desenho da emissão e mapa regulatório |
| 2. Veículo emissor | Constituição de uma SPV espanhola que detém o ativo ou o direito e figura como emissora | Emissor europeu operativo |
| 3. Documentação legal | Termos e condições do instrumento e documento de oferta; folheto apenas quando o valor ou a estrutura o exigem | Pacote legal da emissão |
| 4. Registro via ERIR | Inscrição do valor mobiliário no registro distribuído mantido pela entidade autorizada | Token com validade legal plena |
| 5. Distribuição e onboarding | Verificação de identidade e prevenção de lavagem de dinheiro dos investidores; subscrição e liquidação | Captação executada |
| 6. Vida do instrumento | Pagamentos, comunicações aos investidores e eventos societários registrados na mesma infraestrutura | Pós-emissão administrado |

A constituição do veículo é a etapa que mais gera dúvida em emissores de fora da UE; o passo a passo societário está em [how to set up a Spanish SPV for tokenization](https://hokenfi.com/en/set-up-spanish-spv-tokenization/). Para ativos imobiliários, que concentram boa parte dos projetos, o caso específico está em [tokenização imobiliária](https://hokenfi.com/pt/tokenizacao-imobiliaria/).

## Quem faz o quê: HokenFi e os parceiros regulados

A HokenFi é uma plataforma tecnológica. Ela fornece a infraestrutura da emissão: a estruturação técnica do token, o portal de subscrição, a integração do onboarding de investidores e a administração digital do pós-emissão. A HokenFi não é uma entidade autorizada pela CNMV e não substitui os participantes regulados do circuito.

Esses participantes entram cada um na sua função. A ERIR, entidade supervisionada, mantém o registro do valor mobiliário. Assessores legais respondem pela documentação da oferta e pelo enquadramento regulatório em cada país alcançado. A SPV, com seus administradores, é a emissora e a devedora das obrigações do instrumento. O emissor brasileiro mantém a decisão de negócio: o ativo, as condições econômicas e a relação com seus investidores.

Essa divisão importa na hora de comparar propostas: um fornecedor que prometa cobrir sozinho tecnologia, registro e assessoria legal está prometendo funções que a norma espanhola distribui entre entidades distintas.

## Custos e prazos: ordens de grandeza

Cada emissão tem seu orçamento, mas as ordens de grandeza ajudam a planejar. Em prazo, um projeto sem folheto costuma se mover em meses, tipicamente entre três e seis desde o diagnóstico até a captação aberta; estruturas com folheto aprovado levam mais. Em custo, as partidas principais são a constituição e manutenção da SPV, os honorários legais, o registro e a plataforma tecnológica. A proporção entre custo fixo e valor captado é o que define o tamanho mínimo razoável de uma emissão, o mesmo critério aplicado às demais vias em [captação de recursos para empresas](https://hokenfi.com/pt/captacao-de-recursos-para-empresas/).

O ponto de partida sensato não é jurídico nem tecnológico: é validar se existe demanda de investidores para o seu ativo nas condições que você pode oferecer. Para situar o instrumento no mapa mais amplo dos ativos com registro digital, veja [o que são ativos digitais](https://hokenfi.com/pt/o-que-sao-ativos-digitais/).

Se o teu ponto de partida é o mercado brasileiro, o enquadramento local (CVM, sandbox, Drex) está no [guia de tokenização de ativos no Brasil](https://hokenfi.com/pt/tokenizacao-de-ativos-no-brasil/).

**Quer saber se o seu projeto encaixa em uma emissão europeia?** Faça o [diagnóstico de emissão (2 min, em inglês)](https://hokenfi.com/en/issuance-assessment/) ou [solicite uma proposta](https://hokenfi.com/en/request-a-proposal/).

*Este conteúdo é informativo e educacional. Não constitui aconselhamento jurídico, fiscal ou de investimento. Verifique a versão vigente de cada norma no BOE e no EUR-Lex.*
